O espaco do Museu pode ser como o das igrejas. Hoje entrei no espaco Itau Cultural e deu-se o mesmo que se da com a minha avo quando vai falar com Deus a procura de respostas.
A exposicao chama-se Convite a Viagem. Quando entrei li escrito na parede;
"Satre era mau viajante porque tinha muitas opinioes."
E esta frase e aplicavel aos estrangeiros que desembarcam nos lugares ja sabedores do que encontrarao. E entao dizia que melhor fariam se nao viajassem porque saciados de conhecimento previo, ficassem refestelados em suas poltronas em frente a televisao ou, no caso dos mais intelectuai, protegidos por uma estante de livros.
O mundo anda repleto de opinioes e ha ja muito tempo que a surpresa passa por nos sem surpresa. Este modo de ser seria inofensivo se a se a arrogancia que lhe e embutida ficassem limitada aos individuos que a tem. Mas infelizmente nao e assim. A natureza do homem leva-o a juntar-se em grupos de dimensao e qualidade variavel, colectivos mais ou menos coesos e constituidos por motivos mais dispares que podem ser resumidos no leque que vai dos afetos ao compartilhamento da mesma lingua. Pessoas, nacoes, culturas, sabemos, podem ser arrogantes ao ponto de presumir que os outros devam se identificar com seus preceitos, mesmo que a forca. E as suas multiplas instituicoes, a comecar pela familia, estendendo-se as escolas voltadas para o ensino fundamental, sao sistemas de transmissao e producao de opinioes. Sao tantos os portadores de verdades que admira quem ainda creia que elas existam.
Este foi o texto maravilhoso texto que eu li no Paco Imperial no dia 18 de maio.
sábado, 25 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
Nao represente, apresente!
Eu nao acredito na escola para os actores. Nao acredito na escola que procura o corpo presente. Quando eu nao sei o que e nao estar presente. Porque quando estamos num lugar, estamos efectivamente num lugar. O que a escola quer, ou o Stanislavski ou o metodo, e uma hiper presenca que nao comunica mas sim ilustra! Representar? Nao e contar uma historia e muito menos ter uma conversa mas sim filtrar uma historia de uma forma animada!
Nao acredito na libertacao para encontrar o corpo neutro e no corpo livre de tiques para que entao se possa construir um personagem. Cada comunicador deve achar aquilo que tem de melhor. Aquilo em que e mais eficaz para comunicar e trabalhar as suas potencialidades para passar de melhor forma a informacao. Seja ele um veiculo com filtro ou sem filtro, ao menos que seja um filtro verdadeiro, o dele mesmo ou dos seus tiques! Para cada espectaculo o actor deve aprofundar os seus conhecimentos sobre os conteudos do texto ou da imagem e este e o seu verdadeiro trabalho.
Nao acredito na libertacao para encontrar o corpo neutro e no corpo livre de tiques para que entao se possa construir um personagem. Cada comunicador deve achar aquilo que tem de melhor. Aquilo em que e mais eficaz para comunicar e trabalhar as suas potencialidades para passar de melhor forma a informacao. Seja ele um veiculo com filtro ou sem filtro, ao menos que seja um filtro verdadeiro, o dele mesmo ou dos seus tiques! Para cada espectaculo o actor deve aprofundar os seus conhecimentos sobre os conteudos do texto ou da imagem e este e o seu verdadeiro trabalho.
sábado, 11 de maio de 2013
A aula
A minha aula de dramaturgia foi uma experiencia muito intensa. Cheguei e rapidamente percebi que iria ser uma aula pratica. Entao os actores comecaram o seu aquecimento, inspirando e expirando longamente enquanto andavam pelo espaco. Eu fiquei no meu lugar.
Caio e o cara que da esta aula. Ele faz mestrado na Unirio e esta a desenvolver uma pesquisa com os alunos que se assistem a este modulo.
Depois do demorado aquecimento fizemos uma roda em que cada um se apresentava dizendo o nome, a data de nascimento, o signo e se pertencia a algum colectivo. A nossa disposicao ja fazia lembrar uma reuniao de doentes mentais mas o que se passou a seguir confirmou a minha suspeita. Estava provavelmente subentendido que depois do signo vinha o trauma, mas fui a unica que nao percebeu. Porque todos os meus colegas contaram as mortes mais traumaticas das suas familias, a ausencia do pai ou de mae ou um outro trauma qualquer relacionado com bulling nas escolas ou coisa do genero. Ate chegar a ultima pessoa que disse,
- Oi sou a Sandrina, e minha mae tambem morreu dia 25 de Setembro (coincidencia com outra colega) e meu pai morreu junto. (e chorava...) tenho uma irma que se matou e um irmao que teve um acidente de carro.
Eu juro por tudo que ela disse isto quando se apresentava na nossa primeira sessao. E melhor, depois do trauma havia umas palmas ou um olhar de aceitacao por parte dos outros colegas. O Caio estava super entusiasmado com toda esta energia que pairava na primeira meia hora. Eu estava verde. Fez-me lembrar uma cena do Volver quando Agustina vai a um programa de TV barato dizer que esta com cancro e a apresentadora pede uma salva de palmas.
Eu nao acredito nesta terapia de grupo.
Depois disto ao jogamos ao Cardume. Estavamos espalhados a andar pelo espaco e juntavamo-nos ao Caio se nos identificassemos com o que ele dizia. Entao o Caio dizia,
-Se junta ao cardume quem nunca viajou para a Europa, que foi um dos exemplos. Entre outros ele disse, Se junta ao cardume quem ja perdeu alguem querido ou Se junta ao cardume quem mataria por paixao. E de uns exemplos para os outros o jogo perdia o interesse. O Caio tentava dizer poesias histericas e intensas. Enquanto isto ele tambem policiava o jogo,
- Nao olhem para o chao, olhar na frente, enfrentem o olhar do outro, procurem o olhar do outro, mantenham os bracos ao longo do corpo, evitem andar em circulos, procurem o espaco vazio.
Passeava-se pela sala a corrigir-nos e batia umas palmas para nao quebrar a energia. Eu entendo que ele estivesse a tentar encontrar uma dinamica. Mas a minha pergunta e para que se ja existia uma quando entramos na sala? Para que formar outra, muito mais longe daquela que nos e natural?
Caio e o cara que da esta aula. Ele faz mestrado na Unirio e esta a desenvolver uma pesquisa com os alunos que se assistem a este modulo.
Depois do demorado aquecimento fizemos uma roda em que cada um se apresentava dizendo o nome, a data de nascimento, o signo e se pertencia a algum colectivo. A nossa disposicao ja fazia lembrar uma reuniao de doentes mentais mas o que se passou a seguir confirmou a minha suspeita. Estava provavelmente subentendido que depois do signo vinha o trauma, mas fui a unica que nao percebeu. Porque todos os meus colegas contaram as mortes mais traumaticas das suas familias, a ausencia do pai ou de mae ou um outro trauma qualquer relacionado com bulling nas escolas ou coisa do genero. Ate chegar a ultima pessoa que disse,
- Oi sou a Sandrina, e minha mae tambem morreu dia 25 de Setembro (coincidencia com outra colega) e meu pai morreu junto. (e chorava...) tenho uma irma que se matou e um irmao que teve um acidente de carro.
Eu juro por tudo que ela disse isto quando se apresentava na nossa primeira sessao. E melhor, depois do trauma havia umas palmas ou um olhar de aceitacao por parte dos outros colegas. O Caio estava super entusiasmado com toda esta energia que pairava na primeira meia hora. Eu estava verde. Fez-me lembrar uma cena do Volver quando Agustina vai a um programa de TV barato dizer que esta com cancro e a apresentadora pede uma salva de palmas.
Eu nao acredito nesta terapia de grupo.
Depois disto ao jogamos ao Cardume. Estavamos espalhados a andar pelo espaco e juntavamo-nos ao Caio se nos identificassemos com o que ele dizia. Entao o Caio dizia,
-Se junta ao cardume quem nunca viajou para a Europa, que foi um dos exemplos. Entre outros ele disse, Se junta ao cardume quem ja perdeu alguem querido ou Se junta ao cardume quem mataria por paixao. E de uns exemplos para os outros o jogo perdia o interesse. O Caio tentava dizer poesias histericas e intensas. Enquanto isto ele tambem policiava o jogo,
- Nao olhem para o chao, olhar na frente, enfrentem o olhar do outro, procurem o olhar do outro, mantenham os bracos ao longo do corpo, evitem andar em circulos, procurem o espaco vazio.
Passeava-se pela sala a corrigir-nos e batia umas palmas para nao quebrar a energia. Eu entendo que ele estivesse a tentar encontrar uma dinamica. Mas a minha pergunta e para que se ja existia uma quando entramos na sala? Para que formar outra, muito mais longe daquela que nos e natural?
terça-feira, 7 de maio de 2013
Carioca nao vira padre
Encontrei-me de novo com o meu casal preferido do Rio de Janeiro. Fomos para a praia e levamos um rose frances e vinho branco portugues. Um total sacrificio num dia em que o sol chegava com uma brisa do mar.
Connosco estava tambem uma amiga de Lisboa. Escolhemos de proposito o posto 9 onde desfila a chamada juventude dourada. Sao jovens adultos e adultas com corpos esculpidos lindos e bronzeados. E e por isto, diz o Marcos, que o Rio de Janeiro e um perigo.
O Marcos quando tinha 15 anos queria ser padre, mas porque a certeza so se ve no caminho, o Rio de Janeiro e todas as suas tentacoes de mulheres gostosas encaminharam-no para a expulsao do simenario.
Ele explicou que os meninos do seminario eram rosadinhos, educados e ingenuos e o mulherio ficava encantado com isso. A formacao deles era baseada na teologia marxista que o Marcos explicou como uma nova vaga de uma igreja libertadora que acompanhava as transformacoes da geracao de 70. Era uma nova faccao igreja do Brasil influenciados pelo Leonardo Boff, a teologia da libertacao.Agora como e que os garotinhos com este discurso de libertacao de ideas se iam coibir do flirt e do sexo? Nao iam e muito menos no Rio de Janeiro! Por isso a escola voltou para Minas Gerais, onde era anteriormente, para acabar com as tentacoes cariocas.
E la estava eu de caderninho da mao a apontar Boff e a teologia da libertacao e outras coisas. Carioca nao esta destinado a ser padre, entao para o Rio sao importados padres columbianos e argentinos. Quase satisfiz a minha curiosidade em perceber como e que padre nao sendo homosexual conselhe manter-se em celibato. Sempre quis perguntar isto a um padre. Nos temos um amigo padre que se chama Carlos. E eu sempre quis perguntar-lhe isto mas nunca tive coragem. Desta vez tive, mas o Marcos so durou tres anos de doze do seminario e nunca teve essa pratica estranha do celibato.
domingo, 5 de maio de 2013
A moral e coisa feia
Para o brasileiro grande parte do portugues e careta. Na semana em que cheguei, jantei na casa do Marcos e da Edmeia que sao dois professores universitarios que tambem investigam sobre educacao. O casal esteve o mes passado em Nova Iorque e visitaram o Metropolitam Museum. Entao comecamos uma conversa interessante sobre as bumdas das estatuas romanas, que eram o grande interesse do Marcos.
-Aqui no Brasil agente olha a bumba de todo o mundo. E eu tambem ja olhei a sua, viu?
Disse isto enquanto mostrava no ipad as fotos das bumdas romanas que fotografou no Metropolitan.
Houve uma risada geral mas foi, tenho a certeza, um comentario comum.
Durante o jantar falou-se sobre o Brasil, e claro, do Rio de Janeiro e de Lisboa. Foi mencionado mais do que uma vez pelos dois que o amigo Leo, que tambem jantou connosco, estava solteiro e a dois anos.
O Leo e o amigo hipocondrico, de olhos azuis, que morou em Portugal. Ele e carioca, descentende de russos e tambem professor. E um homem interessante. Ele parece o Chico quando era mais novo pelos olhos e o arzinho enfiado.
Acabei por ir ao teatro com o Leo que se mostrou muito interessado em transformar a nossa saida num date. La lhe dei uma aula sobre a minha educacao catolica e portuguesa e disse-lhe para se comportar. Senti-me super careta, mas teve mesmo que ser! Ele percebeu logo e pediu muita desculpa. Este e o episodio mais excitante da minha estadia. Tudo isto sao relatos para comecar uma grande pesquisa porque a bela da brasileira quer conhecer o Brasileiro.
-Aqui no Brasil agente olha a bumba de todo o mundo. E eu tambem ja olhei a sua, viu?
Disse isto enquanto mostrava no ipad as fotos das bumdas romanas que fotografou no Metropolitan.
Houve uma risada geral mas foi, tenho a certeza, um comentario comum.
Durante o jantar falou-se sobre o Brasil, e claro, do Rio de Janeiro e de Lisboa. Foi mencionado mais do que uma vez pelos dois que o amigo Leo, que tambem jantou connosco, estava solteiro e a dois anos.
O Leo e o amigo hipocondrico, de olhos azuis, que morou em Portugal. Ele e carioca, descentende de russos e tambem professor. E um homem interessante. Ele parece o Chico quando era mais novo pelos olhos e o arzinho enfiado.
Acabei por ir ao teatro com o Leo que se mostrou muito interessado em transformar a nossa saida num date. La lhe dei uma aula sobre a minha educacao catolica e portuguesa e disse-lhe para se comportar. Senti-me super careta, mas teve mesmo que ser! Ele percebeu logo e pediu muita desculpa. Este e o episodio mais excitante da minha estadia. Tudo isto sao relatos para comecar uma grande pesquisa porque a bela da brasileira quer conhecer o Brasileiro.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Lisboa
A Rafaela que mora comigo, de Sao Paulo, perguntou-me se havia musica tradicional portuguesa.
Pos no youtube fado e disse-me
Olha esta e de 1970
E ouvimos todos o Fado Portugues da Amalia, bem alto no 256 da Nossa Senhora de Copacabana. Alguns estranharam, outros deliciaram-se a ouvir. Eu lembrei-me de Lisboa.
Pos no youtube fado e disse-me
Olha esta e de 1970
E ouvimos todos o Fado Portugues da Amalia, bem alto no 256 da Nossa Senhora de Copacabana. Alguns estranharam, outros deliciaram-se a ouvir. Eu lembrei-me de Lisboa.
Subscrever:
Comentários (Atom)