segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O dia em que deixei o Rio
É sobre uma tristeza que eu nunca senti igual que escrevo este texto. Nunca pensei até que ponto um homem e neste caso uma mulher, se pode apaixonar por uma cidade.
Conheci uma chinesa chamada Suki num hostel em São Paulo que estava à quatro meses a fazer uma viagem pela América latina. O Rio tinha sido o primeiro destino e seria o último antes de voltar para o Canada, onde vive. Ela dizia que sentia que o Rio era como um affair que viveu loucamente durante uma semana e que agora sentia que antes de deixar a América do Sul tinha que o voltar a encontrar.
Hoje na minha noite de despedida encontrei-a na pedra do sal. Desta vez fui eu que lhe disse, que daí a muito pouco tempo ia embora sem planos para voltar.
Não pensei que amar cidades fosse um caso tão sério.
"Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana"
Este é o Samba do avião do Tom Jobim.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Cine Joia
Descobri o endereço deste cinema na net enquanto procurava os filmes em cartaz. Seguindo as indicações, acabei no subsolo de um antigo shopping, onde fica o cinema. Tem uma sala, um funcionário e um público específico: reúne a fauna peculiar que só Copacabana tem.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
O mundo vai acabar
Conheçi o Alex num jantar em minha casa com outros franceses. Na mesma noite fomos para a Pedra do Sal. O nosso entusiasmo a conversar no caminho era tanto que o Alex decidiu contar-me que o mundo ía acabar e porquê.
-O sistema está errado, o sistema está errado, até agora eu pensei que depois da minha escola de engenharia...
tirou o telefone do bolso e disse,
- A decisão vai ser em três dias. (continuou) Eu trabalhei com empresas e foi muito interessante, até que me levantei todos os dias e não sabia porque me levantava. Depois eu cheguei no Rio...
E mudámos para inglês, eu,
- Right, i see... there's a relationship in this story, you just broke up a relationship...
- If I wanted a normal life, being a part of the system, but I really think the system is wrong. I was with my girlfriend for 6 and a half years. Something was pulling me to Rio.
- ...
- What an optimization of time and people they do... You're in a bus station, you need to catch your bus at 3, if you miss it your screwed your hole day is...
Não que eu nunca tivesse ouvido esta conversa, já ouvi. Mas a urgência deste rapaz em explicar-me o fim do mundo foi além de poético, performatico.
Resta-me saber até que ponto o parisiense vai adoptar a vida carioca.
Uma vez houve um Perfeito obcecado com esta troca, mas ao contrário, daí decidiu transformar o Rio em Paris. Chamava-se Pereira Passos e derrubou o mais possível de cortiços em nome de erguer edifícios com estatuas e acabamentos neo classicos. Neo estúpido seria se o tivesse feito sem uma intenção de estabelecer a burguesia no Centro. Outra intenção sobre esta mesma relação terá este francês, em estabelecer-se e adoptar a vida carioca.
Faltava a Kabbalah
No ano em que decidi viver fora, decidi também que queria viver como se vive em cada lugar.
Faltava uma experiência espírita no Rio de Janeiro e hoje foi o dia.
A Marlit levou-me a uma palestra de Kabbalah. O centro fica na Lagoa e, diga-se de passagem, tem umas instalações impressionantes. Entrámos e recebemos um exemplar de "O poder da Kabbalah" com o subtítulo "13 princípios para superar desafios e alcançar a plenitude."
Na sala estão várias mesinhas com toalhas brancas, velas e mini girassões de plastico no centro de mesa. Uma mulher gorda que veste uma túnica excêntrica recebe calorosamente os convidados que preenchem as fichinhas com as suas informações. Ela fala a considerar verdades absolutas e com uma convicção impressionantes. A humanidade deseja a luz, porque é que existe o caos? E depois de uma pausa dramática diz: A Kabbalah explica para a gente. Mas mais, tive a sensação que a performance que ela fazia era igual à das vendedoras do Ponto Frio que tentam vender electrodomésticos na promoção. A urgente de nos convencer sobre a Kabbalah é tão grande que ela chega a ficar irritada e a levanta a voz. Pensei, coitada deve repetir isto tantas vezes...
Lembrei-me até de uma performance em que, com a mesma convicção, que não deixa de ser contagiante, a actriz diz barbaridades do género, o mundo acaba depois deste espectáculo e assim. É claro num texto muito bem escrito tudo é possível.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Já entranhada
Ontem fizemos o brinde do portal na Pedra do Sal. Um evento para divulgar o portaldocarnaval, o projeto para o qual estou a trabalhar em comunicação.
Senti que fazia parte da equipe mais do que nunca e pela primeira vez pude assistir de perto à Roda de Samba da pedra. Eles são fabulosos. Foi a primeira vez também que vi a Pedra de dia. O concerto começa por volta as 19h, ainda não tem muita gente, ainda faz sol, pefeito para reparar nos pormenores e conhecer os espaço que eu, fã, nunca tinha tido oportunidade devido a multidão que ocupa a Pedra depois das 11 horas.
Senti que fazia parte da equipe mais do que nunca e pela primeira vez pude assistir de perto à Roda de Samba da pedra. Eles são fabulosos. Foi a primeira vez também que vi a Pedra de dia. O concerto começa por volta as 19h, ainda não tem muita gente, ainda faz sol, pefeito para reparar nos pormenores e conhecer os espaço que eu, fã, nunca tinha tido oportunidade devido a multidão que ocupa a Pedra depois das 11 horas.
Primeiro estranha-se e depois se entranha
"Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!"
Pero Vaz de Caminha 1 de Maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha 1 de Maio de 1500.
BRASIL
Cheguei há dois meses e meio ao Rio. Quando aterrei senti medo, calor e surpresa. Na primeira semana fiquei alojada no Catete. Cheguei de noite e o corpo sentiu o momento em que saí do aeroporto: tive febre e dores de cabeça. Quando chegamos ao Brasil, é natural nas primeiras semanas o corpo reagir desta forma. Estes sintomas também são do dengue, que é uma doença que paralisa o corpo com muitas dores. Aterrorizada com as doenças tropicais, quando senti febre, liguei à minha mãe a chorar (antes de ficar paralisada…), porque achava que tinha dengue. Afinal eram só dores de cabeça, que duraram apenas dois dias. O corpo demora a habituar-se ao novo clima mais húmido.
Mudei-me para uma república: o 256 da Nossa Senhora de Copacabana. Uma república com onze estudantes e viajantes. Naquele apartamento morávamos três franceses, três alemães, uma inglesa, uma holandesa, uma finlandesa e uma brasileira, além de mim.
A nossa casa estava abandonada à nossa sorte. Não tínhamos quaisquer regras. De duas em duas semanas tínhamos novos colegas de casa. Esta casa era velha e cheia de móveis, alguns que só ocupavam espaço e pó. A Isabel, a dona da casa, morava em Londres e todos os novos moradores, normalmente gringos, faziam um acordo qualquer com ela no Facebook e entravam na casa. Pagavam o depósito de entrada àquele que saía e, assim sucessivamente, ela fazia o seu negócio.
Tornámo-nos amigos, nós, aqueles que não abandonavam a casa.
Durante o primeiro mês não fui às aulas. A surpresa e a descoberta dos lugares ocupava a maior parte do tempo. Curiosamente pouco tempo depois de chegar consegui um estágio. No Paço Imperial, na Praça XV, a casa que a família Real veio habitar quando se transferiu para o Brasil. D. João chegou ao Rio de Janeiro em 1807. Ele e sua capitania tiveram a maior recepção já antes vista nesta cidade. As embarcações ancoraram no Mergulhão, onde hoje apanho o autocarro para chegar à praça e aqueles que, por graça de Deus eram os príncipes do Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves, desceram e instalaram-se no Paço. Lá viveram D.João, sua esposa Carlota Joaquina, D.Pedro e D.Miguel. No mesmo lugar D.Pedro, anos mais tarde, proclamou o dia do Fico, e assim tornou o Brasil independente. Esta chegada do D.João é um marco na história do Rio de Janeiro. Repetidas vezes, no Paço, ouvi histórias, segredos e conspirações sobre a família real que tanta curiosidade ainda hoje desperta naquela que foi considerada, pela vinda destes, a nova e última Capital do Império.
A sombra da colonização que vez nenhuma havia sentido em Portugal, vim sentir aqui quando me perguntaram: “Então portuguesa, está gostando da colônia?” Ao qual eu respondi: “Não sei, diga-me você, acabei de chegar à Capital do Império”. O Brasil é uma terra muito grande na qual os portugueses tiveram um pouco de influência. Mas na pouca que tiveram restou a nossa língua, comum aos dois países que torna a nossa comunicação tão fácil e calorosa. A verdade é quando um português chega ao Rio de Janeiro conhece mais sobre a sua terra do que alguma vez podia imaginar. A descoberta desta cidade e esta viagem para o mundo trouxe-me uma consciência do tamanho do meu país.
As festas e os encontros no morro do Vidigal, na praia do Leme, na Rua do Ouvidor e em Santa Teresa, que é igual a Lisboa antiga, mas com bananeiras, ocupavam estas primeiras semanas no Rio.
Quando cheguei à Unirio descobri uma escola que estava atrasada cinco meses com a greve dos professores. Lentamente consegui inscrever-me, tirar o meu CPF (o número de registo que serve para tudo no Brasil.) Neste início, tive alguns problemas com a burocracia. Em Portugal no Consulado do Brasil tirei o meu passaporte e assim entrei no Brasil sem precisar de qualquer visto ou autorização. Note-se que, desde o Verão passado, eu sou também brasileira, por ter adquirido a nacionalidade do meu Pai, o que facilitou, de algum modo, a minha vinda.
Aqui no Brasil, para tirar a carteira de trabalho ou o CPF, os documentos que tinha não eram suficientes. Precisava registar os meus documentos no Brasil porque os que fizera no consulado não eram válidos, diziam. Este rebuliço de registo dos documentos no Brasil durou algumas semanas.
Em alguns lugares, este registo custava cerca de 300 reais, noutros 200, enfim, as versões eram diferentes consoante os lugares, embora todos do mesmo ministério. Foi assim até ao dia em que fui atendida por um filho de portugueses que adorava o meu sotaque e deu um jeitinho brasileiro. Carimbou tudo o que precisava, e ainda tratou de me escrever um documento para que eu pudesse passar à frente de toda a gente no Ministério da Fazenda. Assim foi, tratei de tudo no próprio dia.
Na faculdade a secretaria abre às 14 horas e fecha as 17. Todos os dias esperava que ela abrisse para resolver o meu problema das equivalências e finalmente inscrever-me. Mas foi só no dia em que apareci às 17.30 que resolvi tudo. Estava a funcionar na calma olímpica, a única que o Alfredo (o da secretaria) conhece. Existem algumas receitas para viver no Rio de Janeiro: elas são o relaxe e a recusa da pressa. Pelo menos na chegada seguir esta receita é essencial, caso contrário somos condenados a ficar irritados cada vez que dependemos de um documento para resolver um assunto.
Mais uma vez tive a possibilidade de escolher as disciplinas que queria. Então decidi fazer um laboratório multimédia e uma disciplina de produção de texto na Faculdade de Letras. Nesta possibilidade não ignorei a experiência que tenho vivido até aqui. A primeira vez que entrei na Unirio reparei no mural pintado da escola de teatro: é um Shakespeare. Um Shakespeare grafitado que, pelo tamanho, se acredita ser uma referência desta escola. Então pensei o que faz o Shakespeare no Brasil? Não deveria ser o Machado de Assis, ou a Carmen Miranda? Imaginei o Shakespeare com umas bananas na cabeça a dançar o samba. E a pergunta surgiu: como seria um Shakespeare brasileiro? Na arte brasileira encontramos ainda a herança do manifesto antropofágico . A integração daquilo que vem de fora e a sua identificação com o país. Propus-me procurar as personagens de Shakespeare no Rio de Janeiro. Durante três meses, captei com a minha câmara todos os momentos que me pareceram relacionar-se com os pensamentos e as histórias das personagens do Shakespeare. Filmei na rua e dentro de casa. Encontrei várias Ofélias e Hamlets, e através deles a afinidade desses momentos com o texto. É uma visão muito particular e arriscada mas sendo o Shakespeare um cânone ocidental, a obra dele trouxe um fio condutor a estes três anos. Foi o único autor sobre o qual sempre trabalhei. Na ESTC, em Warwick e agora finalmente na Unirio.
"Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropográfico."
Oswald de Andrade
O CONVITE
Nesta terceira parte do meu relatório, faço um convite à Viagem. Ela é, mais do que qualquer escola, a aprendizagem em si mesma, a valorização da experiência, da paisagem do objecto e das pessoas. Octavio Paz, poeta peruano, disse: "Sartre era mau viajante porque tinha muitas opiniões." Sartre viajou pelo Brasil. Ele, filósofo francês, escreve sobre as suas descobertas na América Latina. Uma célebre conferência em São Paulo gerou muita polémica quando Sartre define a literatura francesa como a literatura universal e a brasileira como popular:
" No Brasil, por exemplo, creio que uma litera-
tura popular deve expressar, necessariamente,
os problemas e as contradições do país em luta
contra o subdesenvolvimento. Fora disso não
há literatura popular, pois se limitaria ao
que é exótico, ao anedótico."
Conferência da Araraquara, Jean Paul Sartre, UNESP, 1960
Então faço este convite para aqueles que partem para a viagem já saciados daquilo que vão encontrar.
Muitas vezes para os portugueses, chegar ao Brasil é aterrar num lugar já explorado e conhecido. Então pensei como seria partir à procura de qualquer coisa.
"O ser humano tem uma tendência para ser agregar, gosta de se juntar em grupos de grande dimensão e de uma qualidade variável, colectivos mais ou menos coesos e constituídos por motivos díspares e que pode ser resumido pelos afectos: desde a semelhança física ao compartilhamento da mesma língua. O homem na sua nação e cultura, pode ser arrongate ao ponto de presumir que o outro se deve identificar com os seus preceitos, mesmo que à força. A escola, a começar pela família e as multiplas intuituições são estruturas de transmissão e produção de opiniões."
In Folder da Exposição, A Viagem, curadoria Agnaldo Farias, 2013 RJ
Não considerar um outro olhar, apreender apenas a visão de uma escola ou uma opinião específica, pode correr o risco de nos equivocar em relação aos outros lugares.
Esta ideia vem contradizer que aquele que acumula mais opinião é o mais instruído e completo de saber. Mas na verdade é um problema quando "as surpresas passam por nós sem surpresa." Porque quando a cabeça está repleta de opiniões e consequentemente de certezas, nós já não nos admiramos de nada.
Quando fazemos a mobilidade e estudamos noutros lugares este problema na escola não persiste. A transmissão de opiniões muda consoante a instituição e o país e com isto, nós, os estudantes, temos diferentes fontes onde absorver. Este é o meu convite.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Pedra do Sal
Desde a primeira vez que fui a Pedra do Sal repetiram-se outras quatro vezes seguidas. Todos os gringos e cariocas tem um encontro marcado às segundas.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Preview do Carnaval
Tive direito a uma preview do Carnaval na Camba, na Cidade do Samba, sábado passado. Era o lançamento do Portal de Carnaval, um network para todos aqueles que querem trabalhar no Carnaval. Maravilhoso e exótico para uma portuguesa que só tinha visto o desfile nas fotografias!
É a verdadeira folia, o teatro total, por isso não precisam de palco isabelinos para nada e neles só fazem o que não interessa, uma cópia falsificada das tragédias europeus que exploram problemas alemaes e franceses.
A força de um acontecimento começa com o contexto no seu lugar e no Rio o teatro está na rua.
Foi um dos momentos em que me senti mais perto daquilo que vim procurar. O brasil e a sua verdade, o seu contexto.
Fiquei impressionada com duas crianças, a rainha e a princesa do da escola da mangueira: elas sambavam como eu nunca vi ninguém. Tinhas umas perninhas esguiam e pulavama muito entre os passinhos do samba. Uma mulher gritava para uma delas: Sua Deusa, cê sabe que é Deusa menina? Olha isso aí... E na verdade era uma deusa do samba que, imagino, tenha ensaios todos os dias. Aquilo que é mais interessante nesta projeto é alguém se ter lembrado disso: que os profissinais das escolas ensaiam todos os dias de agora até fevereiro para prepararem o desfile. Para muitos, o Carnaval acaba por ser o seu sustento durante o ano. Então o professor Jair lembrou-se de lançar este Portal onde se estabelecem os contactos entre os empregados e os empregadores desta industria. Este projeto e os seus objectivos integram-se dentor de uma nova área de desenvolvimento social: a economia criativa.
Só no lançamento pude conhecer estes profissionais. Conheci um grupo de meninas que trabalham como embaixadoras do carnaval, vestem-se e maquilham-se muito e são aquelas que no Carnaval desfilam meia despidas.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Don Vanni
Estamos a hospedar um padre. Já lhe pedimos para benzer a casa e ele diz que é com gosto. Veste uma camisa com colarinho de padre, calas de ganga, cinto de mulher e ténis brancos de desporto. Parece um americano de férias mas é italiano.
Trouxe dez caixas de jamon serrano, cinco pacotes de café italiano, queijos e mais qualquer coisa.
Viva o papa!
O senhor Gregório
O senhor Gregório é um contador de histórias.
Contaram-me hoje os seus ouvintes que ele não escuta. Depois de uma frase intensa faz uma paragem dramática e olha nos olhos das pessoas. Este senhor Gregório não é um comunicador, concluímos. Em seguida a Adriana comentou que ele nunca a deixava participar. Ele comunicava sozinho, ou seja, não recebe nada do exterior. E eu acrescentei: é como no teatro.
Os atores contam histórias sozinhos, ou sejam, nao comunicam nada. Falam sozinhos, nao pretendem qualquer troca. Muitas vezes, a experiência acontece só de um lado.
O fascinante da mediação foi encontrar precisamente isso que o teatro não tem: a troca, a comunicação.
sábado, 25 de maio de 2013
Convite a Viagem
O espaco do Museu pode ser como o das igrejas. Hoje entrei no espaco Itau Cultural e deu-se o mesmo que se da com a minha avo quando vai falar com Deus a procura de respostas.
A exposicao chama-se Convite a Viagem. Quando entrei li escrito na parede;
"Satre era mau viajante porque tinha muitas opinioes."
E esta frase e aplicavel aos estrangeiros que desembarcam nos lugares ja sabedores do que encontrarao. E entao dizia que melhor fariam se nao viajassem porque saciados de conhecimento previo, ficassem refestelados em suas poltronas em frente a televisao ou, no caso dos mais intelectuai, protegidos por uma estante de livros.
O mundo anda repleto de opinioes e ha ja muito tempo que a surpresa passa por nos sem surpresa. Este modo de ser seria inofensivo se a se a arrogancia que lhe e embutida ficassem limitada aos individuos que a tem. Mas infelizmente nao e assim. A natureza do homem leva-o a juntar-se em grupos de dimensao e qualidade variavel, colectivos mais ou menos coesos e constituidos por motivos mais dispares que podem ser resumidos no leque que vai dos afetos ao compartilhamento da mesma lingua. Pessoas, nacoes, culturas, sabemos, podem ser arrogantes ao ponto de presumir que os outros devam se identificar com seus preceitos, mesmo que a forca. E as suas multiplas instituicoes, a comecar pela familia, estendendo-se as escolas voltadas para o ensino fundamental, sao sistemas de transmissao e producao de opinioes. Sao tantos os portadores de verdades que admira quem ainda creia que elas existam.
Este foi o texto maravilhoso texto que eu li no Paco Imperial no dia 18 de maio.
A exposicao chama-se Convite a Viagem. Quando entrei li escrito na parede;
"Satre era mau viajante porque tinha muitas opinioes."
E esta frase e aplicavel aos estrangeiros que desembarcam nos lugares ja sabedores do que encontrarao. E entao dizia que melhor fariam se nao viajassem porque saciados de conhecimento previo, ficassem refestelados em suas poltronas em frente a televisao ou, no caso dos mais intelectuai, protegidos por uma estante de livros.
O mundo anda repleto de opinioes e ha ja muito tempo que a surpresa passa por nos sem surpresa. Este modo de ser seria inofensivo se a se a arrogancia que lhe e embutida ficassem limitada aos individuos que a tem. Mas infelizmente nao e assim. A natureza do homem leva-o a juntar-se em grupos de dimensao e qualidade variavel, colectivos mais ou menos coesos e constituidos por motivos mais dispares que podem ser resumidos no leque que vai dos afetos ao compartilhamento da mesma lingua. Pessoas, nacoes, culturas, sabemos, podem ser arrogantes ao ponto de presumir que os outros devam se identificar com seus preceitos, mesmo que a forca. E as suas multiplas instituicoes, a comecar pela familia, estendendo-se as escolas voltadas para o ensino fundamental, sao sistemas de transmissao e producao de opinioes. Sao tantos os portadores de verdades que admira quem ainda creia que elas existam.
Este foi o texto maravilhoso texto que eu li no Paco Imperial no dia 18 de maio.
domingo, 12 de maio de 2013
Nao represente, apresente!
Eu nao acredito na escola para os actores. Nao acredito na escola que procura o corpo presente. Quando eu nao sei o que e nao estar presente. Porque quando estamos num lugar, estamos efectivamente num lugar. O que a escola quer, ou o Stanislavski ou o metodo, e uma hiper presenca que nao comunica mas sim ilustra! Representar? Nao e contar uma historia e muito menos ter uma conversa mas sim filtrar uma historia de uma forma animada!
Nao acredito na libertacao para encontrar o corpo neutro e no corpo livre de tiques para que entao se possa construir um personagem. Cada comunicador deve achar aquilo que tem de melhor. Aquilo em que e mais eficaz para comunicar e trabalhar as suas potencialidades para passar de melhor forma a informacao. Seja ele um veiculo com filtro ou sem filtro, ao menos que seja um filtro verdadeiro, o dele mesmo ou dos seus tiques! Para cada espectaculo o actor deve aprofundar os seus conhecimentos sobre os conteudos do texto ou da imagem e este e o seu verdadeiro trabalho.
Nao acredito na libertacao para encontrar o corpo neutro e no corpo livre de tiques para que entao se possa construir um personagem. Cada comunicador deve achar aquilo que tem de melhor. Aquilo em que e mais eficaz para comunicar e trabalhar as suas potencialidades para passar de melhor forma a informacao. Seja ele um veiculo com filtro ou sem filtro, ao menos que seja um filtro verdadeiro, o dele mesmo ou dos seus tiques! Para cada espectaculo o actor deve aprofundar os seus conhecimentos sobre os conteudos do texto ou da imagem e este e o seu verdadeiro trabalho.
sábado, 11 de maio de 2013
A aula
A minha aula de dramaturgia foi uma experiencia muito intensa. Cheguei e rapidamente percebi que iria ser uma aula pratica. Entao os actores comecaram o seu aquecimento, inspirando e expirando longamente enquanto andavam pelo espaco. Eu fiquei no meu lugar.
Caio e o cara que da esta aula. Ele faz mestrado na Unirio e esta a desenvolver uma pesquisa com os alunos que se assistem a este modulo.
Depois do demorado aquecimento fizemos uma roda em que cada um se apresentava dizendo o nome, a data de nascimento, o signo e se pertencia a algum colectivo. A nossa disposicao ja fazia lembrar uma reuniao de doentes mentais mas o que se passou a seguir confirmou a minha suspeita. Estava provavelmente subentendido que depois do signo vinha o trauma, mas fui a unica que nao percebeu. Porque todos os meus colegas contaram as mortes mais traumaticas das suas familias, a ausencia do pai ou de mae ou um outro trauma qualquer relacionado com bulling nas escolas ou coisa do genero. Ate chegar a ultima pessoa que disse,
- Oi sou a Sandrina, e minha mae tambem morreu dia 25 de Setembro (coincidencia com outra colega) e meu pai morreu junto. (e chorava...) tenho uma irma que se matou e um irmao que teve um acidente de carro.
Eu juro por tudo que ela disse isto quando se apresentava na nossa primeira sessao. E melhor, depois do trauma havia umas palmas ou um olhar de aceitacao por parte dos outros colegas. O Caio estava super entusiasmado com toda esta energia que pairava na primeira meia hora. Eu estava verde. Fez-me lembrar uma cena do Volver quando Agustina vai a um programa de TV barato dizer que esta com cancro e a apresentadora pede uma salva de palmas.
Eu nao acredito nesta terapia de grupo.
Depois disto ao jogamos ao Cardume. Estavamos espalhados a andar pelo espaco e juntavamo-nos ao Caio se nos identificassemos com o que ele dizia. Entao o Caio dizia,
-Se junta ao cardume quem nunca viajou para a Europa, que foi um dos exemplos. Entre outros ele disse, Se junta ao cardume quem ja perdeu alguem querido ou Se junta ao cardume quem mataria por paixao. E de uns exemplos para os outros o jogo perdia o interesse. O Caio tentava dizer poesias histericas e intensas. Enquanto isto ele tambem policiava o jogo,
- Nao olhem para o chao, olhar na frente, enfrentem o olhar do outro, procurem o olhar do outro, mantenham os bracos ao longo do corpo, evitem andar em circulos, procurem o espaco vazio.
Passeava-se pela sala a corrigir-nos e batia umas palmas para nao quebrar a energia. Eu entendo que ele estivesse a tentar encontrar uma dinamica. Mas a minha pergunta e para que se ja existia uma quando entramos na sala? Para que formar outra, muito mais longe daquela que nos e natural?
Caio e o cara que da esta aula. Ele faz mestrado na Unirio e esta a desenvolver uma pesquisa com os alunos que se assistem a este modulo.
Depois do demorado aquecimento fizemos uma roda em que cada um se apresentava dizendo o nome, a data de nascimento, o signo e se pertencia a algum colectivo. A nossa disposicao ja fazia lembrar uma reuniao de doentes mentais mas o que se passou a seguir confirmou a minha suspeita. Estava provavelmente subentendido que depois do signo vinha o trauma, mas fui a unica que nao percebeu. Porque todos os meus colegas contaram as mortes mais traumaticas das suas familias, a ausencia do pai ou de mae ou um outro trauma qualquer relacionado com bulling nas escolas ou coisa do genero. Ate chegar a ultima pessoa que disse,
- Oi sou a Sandrina, e minha mae tambem morreu dia 25 de Setembro (coincidencia com outra colega) e meu pai morreu junto. (e chorava...) tenho uma irma que se matou e um irmao que teve um acidente de carro.
Eu juro por tudo que ela disse isto quando se apresentava na nossa primeira sessao. E melhor, depois do trauma havia umas palmas ou um olhar de aceitacao por parte dos outros colegas. O Caio estava super entusiasmado com toda esta energia que pairava na primeira meia hora. Eu estava verde. Fez-me lembrar uma cena do Volver quando Agustina vai a um programa de TV barato dizer que esta com cancro e a apresentadora pede uma salva de palmas.
Eu nao acredito nesta terapia de grupo.
Depois disto ao jogamos ao Cardume. Estavamos espalhados a andar pelo espaco e juntavamo-nos ao Caio se nos identificassemos com o que ele dizia. Entao o Caio dizia,
-Se junta ao cardume quem nunca viajou para a Europa, que foi um dos exemplos. Entre outros ele disse, Se junta ao cardume quem ja perdeu alguem querido ou Se junta ao cardume quem mataria por paixao. E de uns exemplos para os outros o jogo perdia o interesse. O Caio tentava dizer poesias histericas e intensas. Enquanto isto ele tambem policiava o jogo,
- Nao olhem para o chao, olhar na frente, enfrentem o olhar do outro, procurem o olhar do outro, mantenham os bracos ao longo do corpo, evitem andar em circulos, procurem o espaco vazio.
Passeava-se pela sala a corrigir-nos e batia umas palmas para nao quebrar a energia. Eu entendo que ele estivesse a tentar encontrar uma dinamica. Mas a minha pergunta e para que se ja existia uma quando entramos na sala? Para que formar outra, muito mais longe daquela que nos e natural?
terça-feira, 7 de maio de 2013
Carioca nao vira padre
Encontrei-me de novo com o meu casal preferido do Rio de Janeiro. Fomos para a praia e levamos um rose frances e vinho branco portugues. Um total sacrificio num dia em que o sol chegava com uma brisa do mar.
Connosco estava tambem uma amiga de Lisboa. Escolhemos de proposito o posto 9 onde desfila a chamada juventude dourada. Sao jovens adultos e adultas com corpos esculpidos lindos e bronzeados. E e por isto, diz o Marcos, que o Rio de Janeiro e um perigo.
O Marcos quando tinha 15 anos queria ser padre, mas porque a certeza so se ve no caminho, o Rio de Janeiro e todas as suas tentacoes de mulheres gostosas encaminharam-no para a expulsao do simenario.
Ele explicou que os meninos do seminario eram rosadinhos, educados e ingenuos e o mulherio ficava encantado com isso. A formacao deles era baseada na teologia marxista que o Marcos explicou como uma nova vaga de uma igreja libertadora que acompanhava as transformacoes da geracao de 70. Era uma nova faccao igreja do Brasil influenciados pelo Leonardo Boff, a teologia da libertacao.Agora como e que os garotinhos com este discurso de libertacao de ideas se iam coibir do flirt e do sexo? Nao iam e muito menos no Rio de Janeiro! Por isso a escola voltou para Minas Gerais, onde era anteriormente, para acabar com as tentacoes cariocas.
E la estava eu de caderninho da mao a apontar Boff e a teologia da libertacao e outras coisas. Carioca nao esta destinado a ser padre, entao para o Rio sao importados padres columbianos e argentinos. Quase satisfiz a minha curiosidade em perceber como e que padre nao sendo homosexual conselhe manter-se em celibato. Sempre quis perguntar isto a um padre. Nos temos um amigo padre que se chama Carlos. E eu sempre quis perguntar-lhe isto mas nunca tive coragem. Desta vez tive, mas o Marcos so durou tres anos de doze do seminario e nunca teve essa pratica estranha do celibato.
domingo, 5 de maio de 2013
A moral e coisa feia
Para o brasileiro grande parte do portugues e careta. Na semana em que cheguei, jantei na casa do Marcos e da Edmeia que sao dois professores universitarios que tambem investigam sobre educacao. O casal esteve o mes passado em Nova Iorque e visitaram o Metropolitam Museum. Entao comecamos uma conversa interessante sobre as bumdas das estatuas romanas, que eram o grande interesse do Marcos.
-Aqui no Brasil agente olha a bumba de todo o mundo. E eu tambem ja olhei a sua, viu?
Disse isto enquanto mostrava no ipad as fotos das bumdas romanas que fotografou no Metropolitan.
Houve uma risada geral mas foi, tenho a certeza, um comentario comum.
Durante o jantar falou-se sobre o Brasil, e claro, do Rio de Janeiro e de Lisboa. Foi mencionado mais do que uma vez pelos dois que o amigo Leo, que tambem jantou connosco, estava solteiro e a dois anos.
O Leo e o amigo hipocondrico, de olhos azuis, que morou em Portugal. Ele e carioca, descentende de russos e tambem professor. E um homem interessante. Ele parece o Chico quando era mais novo pelos olhos e o arzinho enfiado.
Acabei por ir ao teatro com o Leo que se mostrou muito interessado em transformar a nossa saida num date. La lhe dei uma aula sobre a minha educacao catolica e portuguesa e disse-lhe para se comportar. Senti-me super careta, mas teve mesmo que ser! Ele percebeu logo e pediu muita desculpa. Este e o episodio mais excitante da minha estadia. Tudo isto sao relatos para comecar uma grande pesquisa porque a bela da brasileira quer conhecer o Brasileiro.
-Aqui no Brasil agente olha a bumba de todo o mundo. E eu tambem ja olhei a sua, viu?
Disse isto enquanto mostrava no ipad as fotos das bumdas romanas que fotografou no Metropolitan.
Houve uma risada geral mas foi, tenho a certeza, um comentario comum.
Durante o jantar falou-se sobre o Brasil, e claro, do Rio de Janeiro e de Lisboa. Foi mencionado mais do que uma vez pelos dois que o amigo Leo, que tambem jantou connosco, estava solteiro e a dois anos.
O Leo e o amigo hipocondrico, de olhos azuis, que morou em Portugal. Ele e carioca, descentende de russos e tambem professor. E um homem interessante. Ele parece o Chico quando era mais novo pelos olhos e o arzinho enfiado.
Acabei por ir ao teatro com o Leo que se mostrou muito interessado em transformar a nossa saida num date. La lhe dei uma aula sobre a minha educacao catolica e portuguesa e disse-lhe para se comportar. Senti-me super careta, mas teve mesmo que ser! Ele percebeu logo e pediu muita desculpa. Este e o episodio mais excitante da minha estadia. Tudo isto sao relatos para comecar uma grande pesquisa porque a bela da brasileira quer conhecer o Brasileiro.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Lisboa
A Rafaela que mora comigo, de Sao Paulo, perguntou-me se havia musica tradicional portuguesa.
Pos no youtube fado e disse-me
Olha esta e de 1970
E ouvimos todos o Fado Portugues da Amalia, bem alto no 256 da Nossa Senhora de Copacabana. Alguns estranharam, outros deliciaram-se a ouvir. Eu lembrei-me de Lisboa.
Pos no youtube fado e disse-me
Olha esta e de 1970
E ouvimos todos o Fado Portugues da Amalia, bem alto no 256 da Nossa Senhora de Copacabana. Alguns estranharam, outros deliciaram-se a ouvir. Eu lembrei-me de Lisboa.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
O carioca
O homem brasileiro e atirado mesmo! Hoje sai a rua muito irritada com a historia das borucracias e respondi a letra a dois ou tres que fizeram os comentarios do costume,
oi gata
ce e linda
Atencao que estes comentarios nao sao em especial para mim, sao para todas as mulheres.
Os cariocas se trabalham 40% os outros 60% flirtam!
E eu hoje respodi
cala-te
Mas tao agressiva, porque estava irritada que os gajos encolhiam-se! Por isso mulheres nao se acanhem a manda-los a fava, ele ficam com medo!
Ontem um carioca tentou beijar-me. Uma vez, duas vezes e na segunda disse-lhe.
Nao quero. Poe te no teu lugar.
Pelos vistos e mesmo comum aqui. A minha casa so tem gringas, tres sao francesas, uma holandesa, outra inglesa e elas queixam-se muito deles!
Deve ser do samba juntinho e do calor que os homens ficam doidos a tentar pegar mulheres. Homem que tem uma boa pega e aquele que seduz mais mulheres.
A verdade e que vejo muitos casais aos beijos da rua e de mao dada o que em Lisboa nao e tao comum.
oi gata
ce e linda
Atencao que estes comentarios nao sao em especial para mim, sao para todas as mulheres.
Os cariocas se trabalham 40% os outros 60% flirtam!
E eu hoje respodi
cala-te
Mas tao agressiva, porque estava irritada que os gajos encolhiam-se! Por isso mulheres nao se acanhem a manda-los a fava, ele ficam com medo!
Ontem um carioca tentou beijar-me. Uma vez, duas vezes e na segunda disse-lhe.
Nao quero. Poe te no teu lugar.
Pelos vistos e mesmo comum aqui. A minha casa so tem gringas, tres sao francesas, uma holandesa, outra inglesa e elas queixam-se muito deles!
Deve ser do samba juntinho e do calor que os homens ficam doidos a tentar pegar mulheres. Homem que tem uma boa pega e aquele que seduz mais mulheres.
A verdade e que vejo muitos casais aos beijos da rua e de mao dada o que em Lisboa nao e tao comum.
Portuguesa ou Brasileira?
Pedi a dupla nacionalidade Agosto passado, porque o meu pai era natural do Recife. Safei-me de tratar do visto e dos carimbos a chegada. Achei que ja era brasileira e que ia continuar as ter os beneficios, mas afinal nao!
O que fiz no consulado em Lisboa nao e suficiente e todos os documentos precisam de ser aprovados em Brasilia. Deste a certidao de nascimento a carteira de identidade e ate o passaporte! Tudo isto so pode ser feito depois de ter o titulo. Para o titulo preciso de provar que tenho direitos politicos.
Fiz um diagrama dos ministerios, um a seguri ao outro onde tenho que ir.
Se fosse so portuguesa nao tinha nenhum destes problemas! Pelo menos agora no inicio. Ja teria o meu CPF e ja podia comecar a ir as aulas.
Enfim e Brasil...e eu que me chateava com borucracia em Lisboa.. O segredo e ir a praia e descontrair como me aconselha a holandesa que mora ca em casa.
O que fiz no consulado em Lisboa nao e suficiente e todos os documentos precisam de ser aprovados em Brasilia. Deste a certidao de nascimento a carteira de identidade e ate o passaporte! Tudo isto so pode ser feito depois de ter o titulo. Para o titulo preciso de provar que tenho direitos politicos.
Fiz um diagrama dos ministerios, um a seguri ao outro onde tenho que ir.
Se fosse so portuguesa nao tinha nenhum destes problemas! Pelo menos agora no inicio. Ja teria o meu CPF e ja podia comecar a ir as aulas.
Enfim e Brasil...e eu que me chateava com borucracia em Lisboa.. O segredo e ir a praia e descontrair como me aconselha a holandesa que mora ca em casa.
sábado, 27 de abril de 2013
Shwarzeneger
Ontem vi o Arnold Schwarzeneger. Eu estava a chegar ao numero 2 de Nossa Senhora de Copacabana, quando vi a frente do Winston uma grande confusao. Era o Arnold que saia em grande estilo, de charuto na boca!
Eu ainda o via como actor, mas nao, ele e mesmo politico e veio ao RJ fazer um pacto ambiental. Enquanto fazia tempo para o meu jantar, estava com a povo a espera dele! Um fa vestido de extraterreste tinha um cartaz que dizia - Arnold, may I shake your hand?
O Arnold nao lhe deu bola nenhuma, coitado!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Vidigal
Eu vou jantar ao Vidigal, nem que seja para la entrar! Ontem eu e Line fomos dar uma volta grande de Copacabana ate ao Vidigal. E era este o plano, passear pela praia ate chegar a favela e entrar.
Quando eu ainda estava no hostel vimos o anuncio de dois quartos no Vidigal. Eu entretanto arranjei alojamento, mas ela ficou com aquilo na cabeca e queria muito la ir.
Foi tudo muito tranquilo ate chegarmos a entrada da favela. Eu sozinha com uma loira dinamarquesa completamente a gritar assaltem-me...tive medo e pedi-lhe para voltar para tras.
Para a proxima vou, nao posso e ir com ela porque ela da muito nas vistas!
Quando eu ainda estava no hostel vimos o anuncio de dois quartos no Vidigal. Eu entretanto arranjei alojamento, mas ela ficou com aquilo na cabeca e queria muito la ir.
Foi tudo muito tranquilo ate chegarmos a entrada da favela. Eu sozinha com uma loira dinamarquesa completamente a gritar assaltem-me...tive medo e pedi-lhe para voltar para tras.
Para a proxima vou, nao posso e ir com ela porque ela da muito nas vistas!
O frances que mora comigo
O frances que mora comigo tem montes de piada. Deixar esta casa vai ser um alivio, mas vou deixar de estar na sala, eu e o meu frances e os nossos computadores.
Ele e o tipico frances que qualquer mulher deseja encontrar. E alto, loiro e trabalha numa empresa que exporta petroleo. E super delicadinho mas vive nesta bagunca e isso diz algo sobre ele - e uma pessoa descontraida. Hoje ao jantar ele comeu noodles com atum ou algo do genero pelo cheiro. E enquando come ve na net as noticias francesas.
Ele e o tipico frances que qualquer mulher deseja encontrar. E alto, loiro e trabalha numa empresa que exporta petroleo. E super delicadinho mas vive nesta bagunca e isso diz algo sobre ele - e uma pessoa descontraida. Hoje ao jantar ele comeu noodles com atum ou algo do genero pelo cheiro. E enquando come ve na net as noticias francesas.
Quarto do Carlos
Hoje visitei outro quarto! Na rua Ministro Viveiros de Castro mesmo atras desta onde estou agora. Vive la a Juliana e a Gabi com um americano. Desta vez verifiquei tudo, agua, internet, luzes, portas, janelas, arrumacao! O dono da casa e o Carlos que e Peruano. Ele viu um anuncio meu no facebook e veio oferecer-me o quarto. E mais caro ainda mas nesta zona esta tudo a disparar precos.
Tou cheia de fe que me mudo este dia 30 para la e deixo de ter estes problemas basicos para comecar a ter outros!
Hoje fui pela primeira vez a faculdade. E pequena e parece um barracao, mas se calhar e porque esta em orbas! La encontrei-me com a Marina que e estudante de musica, mesmo ao lado de Teatro. A marina e um dos contactos que me deram antes de chegar. Ela toca percurssao e pareceu-me mesmo fixe. Eu quando conheco alguem aqui que gosto digo - Bora beber uma caipirinha! E tambem lhe disse a ela.
Tou cheia de fe que me mudo este dia 30 para la e deixo de ter estes problemas basicos para comecar a ter outros!
Hoje fui pela primeira vez a faculdade. E pequena e parece um barracao, mas se calhar e porque esta em orbas! La encontrei-me com a Marina que e estudante de musica, mesmo ao lado de Teatro. A marina e um dos contactos que me deram antes de chegar. Ela toca percurssao e pareceu-me mesmo fixe. Eu quando conheco alguem aqui que gosto digo - Bora beber uma caipirinha! E tambem lhe disse a ela.
Quarto
Passados dois dias vim morar para a Nossa Senhora de Copacabana numero 256. E uma republica enorme mesmo a uma quadra da praia! E tao grande que ainda nao conheci todos os meus colegas de casa e estou aqui a tres dias!
A casa e brutal, tem duas cozinhas, duas salas e dois terracos. So moro com gringos; uma inglesa, dois alemaes, uma filandesa, quatro franceses, uma holandesa e uma espalhola, para ja! A palavra gringo e uma palavra que o povo brasileiro usa muito e que quer dizer estrangeiro.
O Andreson e o porteiro aqui de casa, ja os ouvi comentar - aqui so tem gringo!
Enfim eu ficaria nesta casa, se o meu quarto tivesse porta...Pois e, as condicoes nao sao as melhores, sobretudo do meu quarto que fica mesmo ao lado da cozinha.
Tudo aqui e bom menos o essencial! Casa de banho cozinha e o meu quarto sao impossiveis! Nao consigo cozinhar ali porque tem baratatinhas...e eu nao consigo viver ao pe delas!
terça-feira, 23 de abril de 2013
Chegou balancou
Foi no dia 20 de April que eu cheguei ao Rio de Janeiro. No hostel Republica, onde fiquei, conheci a Line e o Andreson. Ela e dinamarquesa e conhecemo-nos porque dividiamos o quarto ele e brasileiro e claro, apresentou-se as gringas.
Cheguei a dois dias mas a sensacao e de que estou aqui a uma semana. Esta cidade e grande e muito exigente.
O Andreson levou-nos ate Copacabana onde bebemos umas aguas de coco e comemos umas totas a olhar para o mar! Mais tipico nao podia haver.
Nao diz programa, diz ele
E eu, que sabia porque, Porque?
Porque programa e fazer sexo.
E ai combinamos que essa seria uams das linhas do filme. Sim, porque ele se diz produtor de teatro e eu actriz, entao a piada geral e que vamos fazer um filme que sera o maior sucesso.
Andamos ate ao Leblon, nossa e lindo e melhor do que na novela porque aqui e real.
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