sábado, 11 de maio de 2013

A aula

A minha aula de dramaturgia foi uma experiencia muito intensa. Cheguei e rapidamente percebi que iria ser uma aula pratica. Entao os actores comecaram o seu aquecimento, inspirando e expirando longamente enquanto andavam pelo espaco. Eu fiquei no meu lugar.
Caio e o cara que da esta aula. Ele faz mestrado na Unirio e esta a desenvolver uma pesquisa com os alunos que se assistem a este modulo.
Depois do demorado aquecimento fizemos uma roda em que cada um se apresentava dizendo o nome, a data de nascimento, o signo e se pertencia a algum colectivo. A nossa disposicao ja fazia lembrar uma reuniao de doentes mentais mas o que se passou a seguir confirmou a minha suspeita. Estava provavelmente subentendido que depois do signo vinha o trauma, mas fui a unica que nao percebeu. Porque todos os meus colegas contaram as mortes mais traumaticas das suas familias, a ausencia do pai ou de mae ou um outro trauma qualquer relacionado com bulling nas escolas ou coisa do genero. Ate chegar a ultima pessoa que disse,
- Oi sou a Sandrina, e minha mae tambem morreu dia 25 de Setembro (coincidencia com outra colega) e meu pai morreu junto. (e chorava...) tenho uma irma que se matou e um irmao que teve um acidente de carro.
Eu juro por tudo que ela disse isto quando se apresentava na nossa primeira sessao. E melhor, depois do trauma havia umas palmas ou um olhar de aceitacao por parte dos outros colegas. O Caio estava super entusiasmado com toda esta energia que pairava na primeira meia hora. Eu estava verde. Fez-me lembrar uma cena do Volver quando Agustina vai a um programa de TV barato dizer que esta com cancro e a apresentadora pede uma salva de palmas.
Eu nao acredito nesta terapia de grupo.
Depois disto ao jogamos ao Cardume. Estavamos espalhados a andar pelo espaco e juntavamo-nos ao Caio se nos identificassemos com o que ele dizia. Entao o Caio dizia,
-Se junta ao cardume quem nunca viajou para a Europa, que foi um dos exemplos. Entre outros ele disse, Se junta ao cardume quem ja perdeu alguem querido ou Se junta ao cardume quem mataria por paixao.  E de uns exemplos para os outros o jogo perdia o interesse. O Caio tentava dizer poesias histericas e intensas. Enquanto isto ele tambem policiava o jogo,
- Nao olhem para o chao, olhar na frente, enfrentem o olhar do outro, procurem o olhar do outro, mantenham os bracos ao longo do corpo, evitem andar em circulos, procurem o espaco vazio.
 Passeava-se pela sala a corrigir-nos e batia umas palmas para nao quebrar a energia. Eu entendo que ele estivesse a tentar encontrar uma dinamica. Mas a minha pergunta e para que se ja existia uma quando entramos na sala? Para que formar outra, muito mais longe daquela que nos e natural?



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